Nos últimos anos, os livros bilíngues se estabeleceram no mercado editorial nacional e estão conquistando cada vez mais leitores, tanto pelas possibilidades que oferecem quanto pelo trabalho dos autores e a perspectiva de atingir até mesmo o público internacional.  

Para entender o universo abrangente desse segmento literário conversamos com Cheyenne César – autora da série Vida de Criança – com quatro livros publicados e que trazem textos em português e francês. São eles: Clara e a fralda – Clara et lacouche; Diana e o sono - Diana et le sommeil; Léo e os outros - Léo et les autres e Mateus e o doutor - Mathieu et le docteur.

Cheyenne saiu do Brasil há doze anos e, desde então, passou a escrever só em francês. Com o nascimento de sua primeira filha, a autora decidiu voltar a produzir textos em português, numa perspectiva de transmitir o idioma para a pequena e resgatar suas raízes.

As obras, que narram acontecimentos vivenciados pelas crianças sempre sob uma visão educativa, foram escritas da seguinte maneira: primeiro em português e posteriormente no francês, revelou Cheyenne César.

 

É impossível traduzir um texto literalmente, sobretudo infantil. Cada língua tem suas particularidades e necessita de um trabalho específico. Eu traduzo frase por frase, leio em voz alta e corrijo se necessário”, explicou a escritora.

 

Um dos principais pontos que atraem os leitores para publicações bilíngues é exatamente o suporte que a obra oferece ao aprendizado de uma outra língua, trazendo o mesmo texto em duas línguas. Isso ajuda tanto na alfabetização dos pequenos leitores em outra língua quanto para quem busca consolidar a fluência em um novo idioma.

 

Livros bilíngues são de grande ajuda para quem está aprendendo outra língua, justamente por esse aspecto da tradução. Eu dei aulas de francês muitos anos e sei que a tradução é a maneira mais fácil de adquirir vocabulário e fluência. Todos nós já temos uma língua, traduzir permite utilizar as competências que já temos para agregar novas. Os meus livros, por serem voltados para um público infantil tem um vocabulário simples e acessível, o que pode ser uma ajuda para pessoas que estão aprendendo o francês ou o português”, elucidou Cheyenne.

 

Com amplo potencial de impacto, as obras desse segmento poderão ser adquiridas por leitores que conheçam pelo menos uma das duas línguas usadas na obra, assim como absorvido pelos países que possuam alguma das línguas como nativa – fato que aconteceu com os livros da série Vida de Criança:

 

Foram muito bem recebidos aqui na Suíça pela comunidade lusófona e no Brasil pela comunidade francófona. Estou muito satisfeita com os resultados até agora e espero publicar os próximos da série em breve”, comenta Cheyenne sobre a recepção de seus livros, no Brasil e no exterior.

 

Na visão da autora, o mercado editorial de publicações bilíngue segue em expansão constante, principalmente devido a questões que são de impacto social e global:

 

Eu tenho várias amigas autoras que estão escrevendo e sendo publicadas em edições bilíngues. Hoje em dia com a globalização e o contexto de imigração, é importante que os livros possam atingir um público largo.

 

Além da série Vida de Criança de Cheyenne, a Giostri Editora lançou Retratos poéticos: pequenos escritos para conversar com a vida, uma coletânea de poemas bilíngue escritos por Ana Carolina Athayde Carrer. Os poemas em português e espanhol ainda acompanham ilustrações e promovem uma experiência de leitura bilíngue em versos.

Somado a tudo isso, ainda existe o valor emocional envolvendo uma obra bilíngue, que se torna valiosa para famílias e indivíduos que vivem em uma dicotomia linguística.

 

O livro bilíngue abre muitas portas. Ele ajuda a adquirir vocabulário, a se familiarizar a uma língua estrangeira e no caso de pessoas que vivem em um contexto bilíngue, como é o caso da minha família, permite que cada um possa ler o livro na língua que se sente mais à vontade. Por exemplo, minha sogra, que é Suíça, vai ler em francês ”, finaliza Cheyenne.

 

Com a versatilidade, amplitude do alcance e diversos benefícios, a leitura de um livro bilíngue é também uma maneira de transpor barreiras geográficas, fazendo da literatura uma ponte para formação e união de leitores ao redor do mundo.

 

A seguir, saiba mais sobre os livros citados na matéria:

Clara e a fralda – Clara et lacouche, de Cheyenne César

Diana e o sono - Diana et le sommeil, de Cheyenne César

Léo e os outros - Léo et les autres, de Cheyenne César

Mateus e o doutor - Mathieu et le docteur, de Cheyenne César

Retratos poéticos: pequenos escritos para conversar com a vida, de Ana Carolina Athayde Carrer

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