por Cris Lavratti

"Há alguns anos, descobri que no calendário Maia, o dia 25 de julho é o Dia Fora do Tempo. Eles têm 13 ciclos lunares de 28 dias, que corresponde a 364 dias, mais um fora do tempo. Então para os Maias, o ano acaba no dia 24 de julho e recomeça no dia 26 de julho. E o dia 25 era visto como uma grande oportunidade de recomeçar, recarregar as energias, libertar o que já não é mais preciso, agradecer por tudo o que foi recebido no período anterior em todos os aspectos, pois são importantes para nossa aprendizagem e evolução como seres humanos cuja essência é espiritual.

Este dia de julho é especialmente marcante para mim. Foi o dia em que me meu pai partiu para outra morada, há mais de 30 anos, quando eu contava 7 primaveras. Lembro que na época, minha mãe optou por não falar nada nem para mim, nem para meu irmão. No dia 25 de julho, um amigo de meu pai me buscou e me levou para passar o dia brincando com a filha dele e a vó da menina e a noitinha, me deixou em casa.

A realidade se apresentou somente no dia 26, quando pela manhã, minha mãe contou o que se passava. Estávamos deitadas na cama deles e ela tomou coragem e me disse o que tinha acontecido na madrugada do dia 25 e que ela preferiu fazer as coisas desse jeito, pois nós não acordamos com o barulho da casa, ambulância e vizinhos. Por bem, optou por não participarmos da despedida. Escolha dela e eu e meu irmão respeitamos até hoje. Respeitamos e admiramos a coragem que ela teve de seguir em frente, forte e firme, com apenas 33 anos de idade e dois filhos para criar.

Dia 25 de julho de 1986, foi o Dia Fora do Tempo pra mim. Literalmente. E quando me deparei com o calendário Maia, foi impossível não fazer esta conexão. Ao longo dos anos, sempre busquei respostas, imaginando como seria a vida se meu pai tivesse aqui. O quanto eu gostaria de poder ouvir sua voz, seus conselhos, seus parâmetros diante das minhas escolhas.

Nas minhas ilusões, imagino sempre que seríamos pessoas melhores, se ele aqui tivesse ficado. Porque meu pai era vida, energia pura do bem, acolhedor, verdadeiro, justo e muito querido por todos. Quando digo que sou filha dele, vejo a emoção e o sorriso no rosto de quem o conheceu.

Com certeza, tudo seria diferente. A vida de nós três com ele, seria outra. Mas nosso trem saiu dos trilhos e tivemos que achar um novo caminho para seguir. Revoltas? Sim, tive muitas. Mas sempre aceitei e entendi o que vida nos reservou.

E hoje, quando o dia 25 de julho chega, adoto a crença Maia e reflito, recarrego as energias, me liberto daquilo que pesa, me conecto com meu velho, sinto ele bem pertinho de mim e agradeço pela vida!"

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